CORPO

02/07/2015
Envelhecendo com saúde

Envelhecendo com saúde

Pílulas de Bem Estar está de férias na Europa. Mas não pude deixar de notar como os idosos aqui são ativos e saudáveis. Eles estão por toda parte! Idosos europeus estão nas ruas, algumas de sapatinho de salto, outros com andadores super modernos ou mesmo cadeiras de roda elétricas, usando transporte público, subindo ladeiras com suas compras de supermercado, varrendo as calçadas em frente às suas casas, cuidando do jardim e, mais impressionante de tudo, pedalando quilômetros pelas ciclovias entre uma cidade e outra. A expressão "idosos" aqui não se trata de um exagero. Eles são visivelmente maiores de 65 anos, como comprovam os cabelinhos brancos ao sabor do vento.
Aqui não há filas, assentos ou vagas prioritárias. Por outro lado, os ônibus não sacodem, as calçadas são bem cuidadas e o risco de assalto tende a zero. Mas isso não é suficiente para explicar tamanha disposição.

Talvez possamos entender o segredo deles observando os mais jovens. Crianças a caminho da escola a pé ou sobre micro bicicletas. No colo ou no carrinho, apenas os bebês. Estações de trem lotadas de pessoas que vieram de suas casas caminhando, de patinete (isso mesmo!), ou que deixaram suas bicicletas estacionadas nos enormes bicicletários disponíveis a cada esquina. Imagino que sejam os mesmos que chegam em casa no final do dia e fazem a própria comida, lavam a louça e que, nos dias livres, normalmente faxinam e cortam a grama das suas casas. Os mesmos que, por não terem babá folguista, precisam ser os responsáveis por gastar a energia das crianças no final de semana. Talvez seja mais fácil entender como o senhor cinquentão que está em cima de uma escada consertando a goteira do telhado de casa vai se tornar um idoso que vai às compras com um andador daqui a trinta anos. Ou como o casal que hoje leva os filhos para a escola com um carinho de bebê duplo acoplado na roda dianteira da bicicleta vai pedalar na ciclovia do Reno nos finais de semana, após a aposentadoria.

Idade aqui não parece ser sinônimo necessário de perda de autonomia e incapacidade. Do ponto de vista físico, imagino que o declínio da força muscular, do equilíbrio e da agilidade seja atenuado pelo uso constante do corpo desde a infância e ao longo da vida. Ao contrário do que você possa estar pensando, eles estão longe de ser sarados. A questão aqui não é estética ou emagrecimento. Eles estão simplesmente fazendo o que precisa ser feito, todos os dias.

Do ponto de vista psicossocial, minha hipótese é que o segredo está na relação deles com o esforço físico. Parece que esforço físico por aqui não arranca pedaço, não precisa ser terceirizado, nem é algo de que é vantajoso prescindir. Acho que eles já se libertaram da idéia de que nobre mesmo é descansar, comer bem e pagar alguém para fazer o trabalho pesado.

Quem olha a orla de Copacabana pode ter a falsa impressão que nós, brasileiros, somos super fisicamente ativos. Porém, exercício físico é apenas um momento em que fazemos uma atividade física como fim em si, só para suar e gastar umas calorias. De fato, a maioria de nós faz algum tipo de exercício físico. Entretanto, atividade física é muito mais do que simplesmente fazer exercício. Pegar o neto no colo, carregar uma caixa pesada, caminhar até o supermercado e fazer faxina são exemplos de atividade física que, ao contrário dos europeus, a classe média urbana brasileira prefere não fazer.

Passamos o dia todo evitando e terceirizando a nossa atividade física cotidiana e depois tentamos compensar fazendo treinamento funcional por uma hora, três vezes por semana, quando muito. Será que a conta fecha? Observando a diferença de vigor físico entre os nossos idosos e os deles, parece que não. Por isso, use seu corpo, para poder continuar contando com ele por muito tempo.

Dra. Aline Sardinha - Psicóloga Clínica e Coach (CRP/05: 34.146)






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COMENTÁRIOS
ótimos seus artigos.
Por: Batista - Em: 01/08/2015 - 22:24:29
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