CORPO

29/04/2017
Ela precisa respirar

Tinha uma época em que as vaginas das mulheres viviam escondidas atrás de cintos de castidade e diversas camadas de saias. Anos se passaram, inventaram a pílula anticoncepcional, as mulheres se libertaram... mas as vaginas continuam sufocadas. Minúsculas calcinhas de renda, meia-calça, roupas apertadas, protetores diários, sabonetes específicos, lencinhos umedecidos, duchas, absorventes, lubrificantes, creminhos e perfuminhos mil... e toda hora inventam uma coisa nova que a mulherada fica achando que precisa colocar na dita cuja. Seu corpo, suas regras, isso não se discute. Claro que cada uma pode usar a calcinha, as roupas ou os perfuminhos que achar melhor. Entretanto, como profissional de saúde, não posso me furtar de alertar sobre os riscos associados aos hábitos de cuidado íntimo de muitas mulheres. A ciência mostra que ela precisa respirar!

Quanto mais sequinha e arejada ela ficar, menores as chances de candidíase e de outras bactérias e fungos nocivos se multiplicarem por ali. Roupas larguinhas, dormir sem calcinha, preferir lingerie 100% algodão, evitar usar protetores diários e optar por coletores de silicone durante o período menstrual são forma fáceis de deixar a pepeca respirar um ar puro! Além disso, não apenas a vagina precisa respirar... não podemos assassinar as bactérias do bem que vivem ali nos protegendo de invasões indesejadas... E adivinha qual o melhor jeito de proteger nosso pequeno exército de defesa? Deixando elas em paz! Nada de lavar demais, de usar sabonete toda hora, lubrificante artificial em todas as relações, passar lencinho umedecido e outros produtos de “higiene ...

A higiene íntima adequada, por incrível que pareça, começa por fazer o mínimo que você conseguir. Isso porque qualquer produto diferente de água tende a prejudicar a flora bacteriana natural da vagina, aumentando o risco de infecções. Até papel higiênico perfumado... Mesmo assim, não é para lavar toda hora. Depois de ir ao banheiro ou ter relações sexuais, no máximo. Seca bem e, de preferência, deixa arejar um pouco.

Ao contrário do que a maioria de nós acredita, nossas vaginas foram feitas para funcionar e sobreviver sem nenhum desses produtos que hoje estão disponíveis no mercado. Infelizmente, o consumismo também chegou por aqui... Por isso, precisamos ficar atentas. Do contrário, corremos o risco de entrar em um ciclo de infecções repetidas e superficialmente tratadas, sem combater os fatores relacionados ao cuidado diário inadequado que são os verdadeiros responsáveis pelo problema. Para ela, menos é mais!


Dra. Aline Sardinha – Psicóloga clínica (CRP/05:34.146)



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COMENTÁRIOS
Perfeito! Excenlentes informações e esclarecimentos
Por: Maria Teresa Fernandes - Em: 30/04/2017 - 11:04:09
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