MENTE

14/02/2014
Ataques de pânico são perigosos?

Quem já experimentou um ataque de pânico pode dizer que teve uma amostra grátis do que deve ser a sensação de estar à beira da morte. A pessoa está vivendo a vida normalmente quando, de repente, do nada, aparecem uns sintomas esquisitos, acompanhados de uma sensação muito ruim. Dali a alguns minutos, do mesmo jeito que apareceram, estes sintomas desaparecem, deixando para trás muitos medos e questionamentos. O que foi isso? O que há de errado com o meu corpo? Com a minha cabeça? Será que vou ter outro deste? E se eu tiver outro deste sozinha na rua?
A psiquiatria e a psicologia atualmente consideram ataques de pânico como um conjunto de sintomas provocados pelo sistema nervoso que ocorrem devido a uma série de mudanças fisiológicas sem maior perigo para o indivíduo. É como se fosse um mal funcionamento do sistema cerebral do medo. Milhares de modelos teóricos já foram testados mostrando porque algumas pessoas tem ataques de pânico, porque eles ocorrem em algumas situações e como tratá-los. Podemos inclusive hoje dizer com segurança que a maior parte das pessoas melhora com uma combinação de Terapia Cognitivo Comportamental e medicamentos.
Entretanto, nossa reflexão hoje se limita a ajudar as pessoas a entenderem porque os ataques de pânico não são perigosos. Imagine um detector de fumaça de uma sala comercial. Na presença de fogo, este detector percebe a fumaça e automaticamente desencadeia reações anti-incêndio, como fazer jorrar água ou acionar um alarme. Agora imagine que, por uma combinação de motivos, esse detector se encontra sensível a ponto de fazer toda essa bagunça ao menor sinal se fumaça. Assim, se alguém acender um cigarro, inicia-se a enxurrada e em breve chegarão os bombeiros.
O ataque de pânico ocorre mais ou menos como no exemplo acima. Temos no cérebro detectores de perigo que, diante de situações ameaçadoras desencadeiam automaticamente uma série de sensações físicas e emoções negativas. Se alguém tem as reações típicas de um ataque de pânico durante um assalto, por exemplo, ninguém acha esquisito. Porém, se essa mesma pessoa tem essas reações sentada no sofá vendo novela, consideramos que é um ataque de pânico. Claro que alguma coisa saiu errada. O corpo reagiu a alguma mini alteração fisiológica corriqueira, como uma mudança no ritmo da respiração, imperceptível para a pessoa, como se fosse uma grande ameaça à sobrevivência.
Contudo, nosso objetivo hoje é deixar claro que, durante um ataque de pânico, temos as reações naturais do organismo a uma ameaça, só que na ausência de ameaça real. Nada mais do que isso. Se você tiver essas mesmas reações ao levar um susto, por exemplo, garanto que não ia ficar achando que está morrendo do coração. Assim, se você teve um ataque de pânico de repente, podemos afirmar que provavelmente você não está morrendo, não está enlouquecendo, nem vai perder o controle sobre seu comportamento. É só um bug do sistema. Como se vc estivesse reagindo a um susto que vc não percebeu que levou. Já viu alguém morrer de susto?

Dra. Aline Sardinha: Psicóloga Clínica e Coach (CRP/05: 34.146)




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COMENTÁRIOS
Sim, é esta sensação mesmo. O difícil e na hora da sensação a manter o controle. O engraçado e que logo depois parasse que está tudo normal, menos o pensamento kkk.
Por: Leandro Sardinha - Em: 14/02/2014 - 21:16:24
Por pior que seja, passa! Mas enquanto tempos um... parece que o nosso coração vai parar e que vamos morrer a qualquer momento.
Por: Sofia da Silva Urech - Em: 30/06/2014 - 21:29:34
Oi, concordo com os sintomas acima do panico, mas, imagina Dra., tenho PANICO DE GATO, fico totalmente descontrolada, algumas pessoas acham frescura, ja fiz tratamento de hipnose que nada me ajudou, hoje estou fazendo terapia, mas, ainda nao senti nenhuma melhora. Por favor, Dra. sera que eu tenho cura ou vou morrer um dia do ataque do panico, pois, a cada ano que passa estou pior.
Por: Meire - Em: 20/07/2014 - 21:01:12
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