MENTE

10/04/2015
Será que é depressão?

Muitas pessoas ainda acreditam que o principal sintoma da depressão é a tristeza. É comum imaginar que a pessoa deprimida é aquela que não consegue se levantar da cama e passa grande parte do dia chorando. Isso é verdadeiro em alguns casos, mas, na maior parte das pessoas, a depressão não se manifesta dessa forma. Hoje sabemos que o principal sintoma da depressão é a redução da energia: a desmotivação e o cansaço. É perfeitamente possível continuar trabalhando durante meses, mesmo deprimido, com um alto custo pessoal e de desempenho. Uma queixa comum é a pessoa relatar se sentir pesada, lenta (ou com uma agitação improdutiva), com dores no corpo, dores de cabeça, alterações no ritmo de sono, no apetite e na libido.

Em termos psicológicos, podem aparecer, em maior ou menor grau, tristeza, apatia, perda de interesse por pessoas e atividades que gostava, além de pensamentos pessimistas e repetitivos não saem da cabeça. É como se problemas que antes eram resolvidos com facilidade se tornassem tarefas pesadas e difíceis e programas que antes eram agradáveis se tornassem sem graça. É comum que pessoas deprimidas reduzam o contato social e fiquem “sumidos” dos eventos dos amigos e familiares. Outros pacientes relatam também ataques de ansiedade que podem envolver o aparecimento de sintomas físicos como sudorese, palpitações e tremor.

Depressão é uma doença do corpo inteiro, não só da mente. Por isso, frequentemente ela vem acompanhada de alteração do ritmo intestinal, da digestão, da pele, cabelos, unhas, além de reduzir a resistência a infecções. No longo prazo, as pessoas deprimidas são mais predispostas a ter infarto, derrame, diabetes etc.

Por último, e não menos importante, a depressão pode estar por trás de queixas de memória e atenção. Muitos pacientes relatam que parece não ser possível se concentrar numa leitura ou guardar na memória o que leu, ou esquecimentos no cotidiano. É importante conhecer essas manifestações pois a depressão é hoje uma doença muito prevalente. É provável que, de cada 100 pessoas que você conheça, 30 venham a apresentar sintomas depressivos em algum momento da vida.

A boa notícia é que existe tratamento eficaz, principalmente quando iniciado assim que observados os primeiros sintomas. O que consideramos atualmente como padrão-ouro de tratamento é a combinação de medicamentos antidepressivos com terapia cognitivo-comportamental. Além disso, indivíduos deprimidos se beneficiam da prática regular de exercícios físicos, do estabelecimento de uma rotina de sono e de apoio de uma rede social.

Dra. Aline Sardinha - Psicóloga clínica e coach (CRP/05:34.146)






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COMENTÁRIOS
Oi Aline. Ao ler estas informações, eu percebo que os sintoma também pode ir mudando ao longo da depressão. Isso é comum? Eu antes tinha sintoma parecido com o de enfarto. Hoje já sinto sintomas como você descreveu agora. Seria o caso de mudar o tratamento ou procurar outros recursos?
Por: Leandro Sardinha - Em: 11/04/2015 - 08:27:03
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