SEXUALIDADE

15/07/2015
Sem camisinha

Em pleno século XXI, apesar de toda a informação, colocar ou não a camisinha ainda é motivo de discórdia para muitos casais. Desde os que acabaram de se conhecer até os casados há décadas. Quantos casais em relacionamentos estáveis usam regularmente a camisinha como método contraceptivo? Mesmo não sendo novidade para ninguém que a infidelidade tem taxas importantes de prevalência, que a AIDS cresce exponencialmente em mulheres casadas, que os demais métodos não protegem de doenças sexualmente transmissíveis e que a camisinha é o método mais livre de efeitos colaterais que se conhece.

Isso mesmo, efeitos colaterais. É comum no universo feminino lidar com as consequências negativas dos hormônios das pílulas anticoncepcionais, desde o ganho e peso até o risco significativamente aumentado de morrer de embolia pulmonar ou de ter um AVC. Ou as dificuldades e infecções do DIU. Adesivos, anéis vaginais, injeções... todos eles são eficazes, mas tem um custo do ponto de vista físico que não podemos desprezar. Ainda assim, muitas vezes, tais elementos acabam sendo pouco considerados pelos casais ao tomar decisões sobre contracepção.

Quem nunca ouviu um homem dizer que camisinha aperta, que reduz a sensibilidade, que o sexo perde a graça etc? Até aqui, nenhuma novidade. O que não estamos acostumadas a ouvir são, muitas vezes, as reais causas de tamanha aversão. “E se eu tiver que parar para colocar a camisinha e perder a ereção?” , “E se a menor sensibilidade influenciar não o meu prazer, mas a minha performance?”, “E se eu me enrolar na hora de colocar?”. Todas são possibilidades que, frequente e secretamente, passam pela cabeça deles. Quantos tem coragem de falar sobre isso? Com a parceira então, de jeito nenhum!

Os mais jovens provavelmente foram familiarizados com a camisinha nos primeiros passos da vida sexual. Mas e a geração anterior? Os hippies dos anos 70 não usavam camisinha. Como vão fazer para aprender a colocá-la depois de velhos? E quem tem coragem de admitir que não sabe? De se enrolar colocando na hora H? Muitas vezes, o sexo em casa com a parceira já não está lá essas coisas, as dificuldades de ereção começar a surgir. Colocar a tal camisinha só complicaria tudo.

E os jovens? Imagina o cara, ao parar os amassos e se concentrar em colocar a camisinha direito, perceber uma redução da excitação. Para muitos, principalmente jovens, isso é pior do que filme de terror! Perceber a redução temporária da excitação, e consequentemente, da ereção, dá um medo danado! Ereção a 90% costuma ser entendida como o prenúncio do caos. Muitos homens, ao não entenderem que isso é normal e esperado, e que assim que a atenção voltar a se concentrar na situação sexual, as coisas voltam ao ponto em que estavam antes, evitam a qualquer custo parar a estimulação. Não sabem o que fazer com isso e morrem de medo do pior acontecer. Melhor não arriscar. Com uma parceira nova então, nem pensar! E com a namorada? Pior ainda! Vai que ela começa a pensar um monte de coisas?

Ela que use a pílula! Discussão encerrada. Antes que a conversa avance e eu tenha que explicar porque uma simples capinha de látex gera tanto medo. Muitos casais vivem anos de impasse ou simplesmente não conversam sobre o assunto. Com óbvio prejuízo da satisfação sexual. Uma simples conversa honesta, destemida talvez fosse suficiente para encorajar esse casal a experimentar juntos. Depois de se livrar das neuras e com um pouco de treino de ambas as partes, a camisinha pode passar a ser parte do jogo sem maiores problemas. Enquanto for tabu, vai ficar esquecida na gaveta.

Dra. Aline Sardinha – Psicóloga Clínica e Coach (CRP:34.146)




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