SEXUALIDADE

29/03/2017
Educação Sexual

Você teve algum tipo de educação sexual? Em casa? Na escola? Se sim, considere-se um privilegiado! A maioria das pessoas inicia a vida sexual sem nenhum tipo de orientação. Na verdade, a maior parte das pessoas passa a vida toda sem ter acesso às mais básicas informações sobre sexo.

Contudo, quando pensamos em educação sexual, provavelmente nos referimos a orientações sobre sexo seguro, doenças sexualmente transmissíveis ou métodos contraceptivos. Alguém, alguma vez, te explicou como fazer sexo? Quais as diferentes maneiras, como ter prazer, como agradar o parceiro, o que é ou não é normal? Sejamos honestos... não é isso que a gente, de fato, quer saber sobre sexo? Não é isso que a gente, efetivamente, precisa saber?

Não desmerecendo o sexo seguro e o planejamento familiar, educação sexual precisa ser mais do que isso! No meu consultório, todos os dias, uma parcela significativa do tratamento das queixas sexuais passa por educar as pessoas. Adultos! Que hoje tem dificuldades sexuais diversas porque não tiveram acesso a educação sexual de qualidade. Foram estabelecendo crenças distorcidas sobre sexo baseadas no que ouviram falar ou encontraram em filmes e livros de ficção. E, a partir disso, foram criando um repertório de comportamentos sexuais, a ser moldado na prática, por tentativa e erro. Não tinha mesmo como dar certo!

Você pode estar pensando que sempre foi assim, que as coisas acabam se acertando na prática... mas devo te dizer que poucas frases são mais verdadeiras do que “todo mundo tem problemas sexuais”. Não que todas as pessoas tenham disfunções sexuais, mas a maior parte delas tem questões relacionadas à sexualidade, que desapareceriam rapidamente com um pouco de informação. E não se engane, achando que a enorme oferta de conteúdo sexual a que temos acesso hoje configura informação de qualidade. Muito pelo contrário.

Além disso, essa falta de preparação do indivíduo para a vida sexual é tipicamente ocidental. Em muitas culturas, conhecimentos sobre práticas sexuais e prazer são transmitidas no seio da família e até por escrituras sagradas. Entretanto, a nossa sociedade acaba caindo no ciclo vicioso em que, mesmo aqueles que acreditam ser importante ensinar, muitas vezes não sabem com fazê-lo. Até os profissionais da área, preferem se manter falando de temas menos áridos, como gravidez e camisinha. Incrivelmente, falar de prazer, ainda é tabu. Você consegue imaginar um pai ou uma mãe, ou o professor da escola, explicando para meninos e meninas como fazer para ter prazer sexual e como agradar seus parceiros? Por que não?

Quantos casamentos acabam por dificuldades sexuais nunca resolvidas? Quantas pessoas sofrem silenciosamente há anos, sem nunca compreender que poderiam ter uma vida sexual diferente? Quantos indivíduos se sentem inadequados, errados, culpados ao vivenciarem sua sexualidade por não saberem o que é normal? Os números não mentem: o consumo desenfreado de medicamentos para ereção por homens de todas as idades, o incrível número de acessos a sites de pornografia, o sucesso dos 50 tons de cinza, o enorme mercado de “tratamentos” e “soluções” fajutas para melhorar a vida sexual. Não resta dúvida de que as pessoas estão desamparadas nesse quesito. E muito interessadas em informação séria.
Precisamos apenas entender que é muito sério falar de prazer, de atração, desejo, orgasmo, excitação. É urgente que comecemos a educar nossas crianças, jovens e mesmo os adultos sobre como ter uma vida sexual plena, segura, prazerosa e saudável. Quem se habilita?

Dra. Aline Sardinha – Psicóloga Clínica e Coach (CRP/05:34.146)





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